segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

À chegada

Hoje, dia 21 de Setembro de 2009, arrastei-me a mim e a 3 malas pelas ruas de Roma, trepei a autocarros e comboios e, finalmente, enfiei-me num avião. Subalimentada e com dores all over the place, a adrenalina por estar a caminho de casa era tanta que me fazia continuar como se nada fosse. Nem o facto de ter sido empurrada e pisada mais de uma dezena de vezes por um grupo de peregrinos italianos e de ter esperado mais de 30 minutos pela minha bagagem alterou o meu humor. Assim que pus a vista na minha mala acotovelei tudo quanto era peregrino para a conseguir apanhar e, qual ladrão, assim que lhe deitei a mão desatei a correr em direcção à saída. Atravessadas as portas, percorri com os olhos a sala toda à procura de caras conhecidas. Nada. Passou um minuto, uma eternidade, não os via, até que avistei um cão...O MEU CÃO! Chamei o, reconheceu a voz e veio de cauda a abanar...não me fez lá grande festa mas com tanta novidade (foi para o trabalho com o dono e depois o ir a um aeroporto) e 2 meses de separação também não estava à espera de tanto. A reacção da mais nova é que fica para amanhã, porque agora já tenho a Carlota (o cão dos meus pais) aninhada aos meus pés na cama.
Mas também ficam saudades de Roma...

terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Em Roma

A roupa que não aparece, como que por magia, lavada e passada a ferro, as mercearias que teimam em desaparecer num piscar de olhos, a casa onde as roommates se sucedem à velocidade a que as mercearias desaparecem...E isto é só o que se passa dentro de casa porque, ao sair, é ver cãezinhos e respectivos donos às compras, juntos, no shopping, ou até mesmo no supermercado. Se consigo viver bem com a roupa para lavar e passar, já com a imagem de um golden retriever amoroso a passear com a sua dona na rua as coisas são diferentes: os olhos e o nariz começam involuntariamente a inchar e a ficar avermelhados e o esforço para não começar ali num pranto é heróico, quase.
Caminha para 3 semanas que por cá estou e tenho saudades, muitas mesmo, dos meus queridos pais e irmãs, até da Carlota! mas, só os primeiros dias, os do choque, é que custam, depois de se criar aqui uma rotina, na qual eles não participam, vai-se vivendo sem grandes sobressaltos, as saudades acalmam. O mesmo não se passa com o Indi e a Vicky: as saudades continuam tão em bruto como quando cá cheguei. Sinto-me um fumador privado dos seus 20 cigarros diários, um pasteleiro diabético, um enólogo com cirrose no fígado...Tem sido até agora uma experiência incrível mas os meus calcanhares de Aquiles vieram para ficar...

segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Passeios de Bicicleta

A todos aqueles que querem ver os seus pequenos com um palmo de língua de fora, recomendo um passeio de bicicleta. Quanto mais acidentado for o percurso, maior a quantidade de língua visível.
Com a irmã ainda em recuperação, estes passeios começaram por ser só para o Indi. Mas, nesta última semana que passou, a Vicky fez progressos de tal maneira incríveis que nos conseguiu acompanhar num destes passeios.
Logo nas primeiras semanas depois da operação deixámos ao critério da Vicky o ritmo da sua própria recuperação. Muitas vezes não fazia sequer um esforço para se levantar, dormia muito e comia pouco, mas lá se iam notando pequenas conquistas de semana para semana. Entretanto com a chegada do tempo quente e com as feridas já muito bem cicatrizadas, chegou também a altura de iniciar a Vicky na natação. Torceu o nariz ao início porque, apesar de se safar bem a nadar, as escadas da piscina não são lá muito "pet friendly" (o Indi consegue sair porque é tão grande que "tem pé" se estiver em duas patas) e, imagino que a perspectiva de não ter como sair por si, fosse a razão da sua aflição. Apesar de contra a sua vontade, lá a obrigámos a nadar um bocadinho todos os dias para ver se treinava as patas traseiras. Nisto, e com a ajuda de uma escada pet friendly improvisada pelo Mi, a Princesa lá tomou o gostou à água e agora já não há quem a tire da piscina. Pela mesma altura em que começou a nadar mais, vimo-la também a esboçar as primeiras corridinhas, a andar mais animada, menos sonolenta e preguiçosa (só o apetite é que continua a deixar muito a desejar). E, nesta última semana, recomeçaram as maldades ao Indi e recuperou o fôlego para os passeios de 30 minutos! Ao vê-la tão "VivaFit" resolvemos arriscar um passeio de bicicleta - mas dos mais curtos, para não estragarmos a cadelinha. Todavia, se houve alguém que saiu envergonhado do passeio foi a Polli que, mesmo não sendo a aleijadinha do grupo, era quem mais o parecia, sempre a última, a arrastar-se na cauda do pelotão...Tudo para levantar a auto-estima da Vicky, claro...!

terça-feira, 7 de Julho de 2009

O Diabo veste Zara

Aproveitando a onda dos títulos cinematográficos e, atendendo ao facto dos milhões serem canalizados para a Vicky, não há Prada mas há Zara! E a Vicky já os topou, só não teve foi tempo para mais do que umas lambidelas...

sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Million Dollar Baby

É a Vicky, claro, com a diferença para a protagonista do filme do Clint Eastwood de que não ganha millions of dollars, antes nos faz gastar millions of euros...é que ao contrário do que acontece no filme, o estrelato subiu à cabeça da Vicky que, ultimamente, tem levado demasiado à letra o Princesa que vem atrás de Vicky sempre que a chamamos. Assim, para comer tem de ser sempre com uma grande festa e com a Polli a levar lhe o petisco à boca com as mãos e, mesmo assim, às vezes torce o nariz e não come nada. Não fosse pelo facto de ela precisar de energia para se mexer, para fazer músculo nas perninhas aleijadinhas, deixava-a gerir os seus apetites mas, nestas circunstâncias, temos mesmo de fazer com que ela coma caso contrário entra num ciclo vicioso em que como não come, não anda, como não anda, não gasta energia por isso não tem necessidade de comer...Mas as mordomias não se ficam por aqui, não, é que a Princesa já percebeu que estamos todos ao seu serviço, que fazemos tudo por ela e, no outro dia, depois de já a ter apanhado a subir as escadas sozinha umas horas antes, dou com ela de cabecinha no primeiro degrau a chorar para que alguém a transportasse escadas acima! E o mesmo acontece para subir para o sofá ou para a cama mas, para estes tem desculpa porque exigem mais esforço, só não tem desculpa para o facto de logo depois de a pormos no sofá sair por si e, passados 3 minutos, estar a pedir para voltar!
Virando-nos agora para as semelhanças em relação ao filme, pode dizer-se que a silhueta da Vicky não difere muito da da Hillary Swank: parece que anda a tomar mega massa. Está completamente desproporcional, com muito músculo nas patas dianteiras e esquelética nas traseiras. Temos, ao ritmo dela, feito caminhadas progressivamente mais longas, a ver se recupera a tão desejada silhueta de ampulheta.
E agora desculpem-me mas Vossa Excelência está a chorar. Vou descobrir o motivo...

sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Cães em espaços públicos - de onde vem a incompatibilidade?

A meu ver é uma coisa muito portuguesa, é fogo de vista para mostrar que somos um povo muito desenvolvido, muito das higienes. Pois na verdade só vem provar o contrário: esta intolerância em relação aos animais é, nos dias de hoje, um sinal de que vivemos no seio de uma sociedade retrógrada. O exemplo que melhor o pode ilustrar passa na sic mulher às 18h. Chama-se Hospital dos Animais e é um programa britânico que conta histórias de salvamento de animais. E é uma diferença abismal no que toca ao comportamento e atitude das pessoas em relação aos animais. Só para exemplificar, enquanto que aqui se cortam as caudas às lagartixas só para as ver sacudirem-se sozinhas, lá, uma lagartixa sem cauda tem direito a consulta e internamento no veterinário.
Por aqui, o que mais se vê é:
É discutível mas, para mim, a partir do momento em que o cão está acompanhado, isto é, quando tenha alguém que se responsabilize pelo que faz, tem todo o direito a frequentar espaços públicos. Se assim o é com pessoas com debilidades mentais e até mesmo com crianças, não vejo porque não funciona com os cães. Porque não é possível ao dono prever o comportamento do cão? Porque fazem as necessidades onde calha? Porque têm bicharocos/parasitas/doenças? Porque podem ferir alguém?
Pois também não é possível prever o comportamento de um débil mental, conhecendo-se histórias de acidentes mortais causados por indivíduos destes que não estavam a ser supervisionados (eu própria presenciei um acidente que, felizmente, não resultou na morte de ninguém, com uma pessoa deficiente mental na praia: tal como os colégios e infantários, também as instituições para deficientes organizam idas à praia e, numa destas, um indivíduo à beira-mar, talvez aflito com o medo de se pode afogar, agarrou-se, com unhas e dentes, a uma pessoa que nada tinha a ver com a instituição, fazendo-a cair. Como estava acompanhado, as supervisoras acorreram imediatamente mas, lá está, as pessoas podem ser tão ou mais perigosas que um cão e não é por isso que existe sinalética a proibi-las de entrar em determinados locais). Quanto às necessidades só posso dizer: o homem que nunca fez xixi na rua contra qualquer coisa que atire a primeira pedra; ou quem nunca viu crianças a fazer também as suas necessidades na praia, em pleno areal? A minha própria mãe dizia-me em pequena "faz xixi aí que já tens o fato de banho seco e se fores ao mar é uma carga de trabalhos para o secar!". E, por último, se o cão está acompanhado pelo dono, parte se do pressuposto de que está devidamente vacinado e desparasitado.
Não estou a dizer que se os cães estão proibidos de entrar em determinados locais, também os deficientes mentais e as crianças deviam estar e, falo nestes grupos por se tratarem de pessoas que necessitam de acompanhamento. Não! E, também não quero entrar na discussão do "a vida de uma pessoa vale mais que a de um cão/animal", só queria mesmo poder levar os meus cães à praia comigo sem estar sempre a olhar por cima do ombro à espera da polícia marítima e da multinha, de a seguir sentar me numa esplanada com eles a lanchar sem ter de pedir muitos "por favores" aos empregados e, por aí fora...


A caminho de Tróia no Ferry - estava a Polli prestes a tirar o Indi do carro quando um dos "comandantes" do barco diz "O cãozinho é no carro!!!". O Indi, que estava tão entusiasmado com tanta água à sua volta, foi então obrigado a voltar para o calor infernal do carro...

segunda-feira, 22 de Junho de 2009

A 1 mês da partida...

...são tantas as coisas a fazer, que quero fazer, como se fosse embora para sempre. Mas não, são só 2 meses que, certamente, passarão a correr. São os 3 amores que deixo por cá que me deixam assim no limbo do entusiasmo para o nó na garganta. Os amores têm disto: por mais asas que nos deêm ou queiram dar, acabam sempre por cortá-las, mesmo que involuntariamente. É que até à data da partida sei que prevalecerão o formigueiro de ansiedade, os bichos carpinteiros da curiosidade em relação àquilo que me espera, a vontade imensa de experimentar ser autosuficiente e logo tão longe de casa...Mas assim que me separar de todos no aeroporto vai ser a viragem a 180º, as saudades ainda tão frescas mas já tão apertadas a ocupar aquele que era o espaço da ansiedade e excitação da partida. Consciente disto, decido que até ao dia 20 de Julho vamos viver, eu e os meus 3 amores, 3 meses num só, uma roda viva de passeios, de sestas, de filmes, de abraços e de petiscos.
As listas são ingratas, deixam sempre qualquer coisa de fora mas, quando há tanto a fazer, tornam-se obrigatórias. Assim, por alto, até dia 20 de Julho quero:
  • Nadar no Alqueva com os cães (pelo menos com o Indi, vamos ver como está Vicky);
  • Correr as praias de S.Torpes a Porto Covo com os cães e acabar o dia no Trinca Espinhas;
  • Dar um pulo até ao IKEA para abastecer os cães de bonecos e aproveitar para almoçar umas divinas almôndegas suecas;
  • Apesar de não ser grande noctívaga, estas circunstâncias têm me dado uma vontade de levar o Miguel a conhecer o Tamariz e, eu, queria também conhecer o famoso Cubo;
  • PRECISO de ver os seguintes filmes: Easy Virtude, Coco avant Chanel e, gostava muito de ver o Igor mas já não sai a tempo...;
  • Fazer petiscos, experimentar receitas de todos os cantos do mundo, sempre, sempre em regime de partilha (com o Miguel) porque de outra forma não sabe tão bem;
  • Passar da cor de choco à de choco frito;
  • Voltar a Tróia, sem os cães, e levar o Miguel a conhecer o Museu do Arroz;
  • Descobrir e inventar mais coisas e sítios para ver, conhecer e fazer.

O Miguel anda a implorar há já algum tempo por um post sobre o estado da pulseira-para-me-lembrar-sempre-dele-em Roma - pois ora aqui está, com mais 6 contas que da primeira vez que falei nela!